Agronegócio: De mãos dadas com o meio ambiente

sexta-feira, Julho 29, 2016

Com objetivo de preservar a biodiversidade, desenvolver pesquisa científica, recuperar e preservar nascentes, além de conectar o Parque Nacional das Emas com o Rio Araguaia, a família de Milton Fries, falecido em 2012, abriu mão de produzir numa área, a isolou e plantou mais de um milhão e duzentas mil mudas nativas. O resultado é visível na comparação entre as duas imagens da página 13, que resumem seis anos de dedicação de uma família de agricultores de genuína consciência ambiental.

 

Muitos produtores goianos vêm demonstrando que o cuidado com o meio ambiente pode e deve andar de mãos dadas com a alta produtividade. É com essa nova roupagem que o agronegócio pretende produzir mais, numa mesma área e continuar apresentando dados volumosos da porteira pra dentro. E os números de algumas fazendas vêm demonstrando que isso é possível. Numa área paralela, a família Fries colhe 120 sacas de milho por hectare e 60 sacas de soja por hectare na safrinha. A cana-de-açúcar é uma terceira fonte de renda.

 

Foi na década de 1980 que ele iniciou o trabalho de recuperação, quando foram comprados 54 hectares com o único intuito de proteger a chamada nascente A, na divisa entre Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Na época, ele já havia recuperado a voçoroca Buracão, causada anos antes pela obra de uma rodovia construída para escoar a produção agrícola. Com o retorno da água, formou-se no local uma grande lagoa azul. Logo depois veio o desafio de conter a erosão da voçoroca Chitolina, em seguida a recuperação das áreas de APPs (Áreas de Preservação Permanente), até que, em 2010, disponibilizou 720 hectares para a formação da Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN), localizada no município de Mineiros, no Sudoeste do Estado.

 

Uma das proprietárias da área diz que não é difícil, nem muito caro preservar. Na prática, depois de isolar a área, fazer as contenções (quando necessária), plantar as mudas e realizar a limpeza, é deixar a natureza trabalhar por conta própria. Esse trabalho todo não seria possível sem o apoio e empenho da família, dos funcionários e de uma empresa parceira.

 

O produtor e pesquisador da Embrapa Abílio Pacheco é outro exemplo de proprietário modelo. Entusiasta do sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), Abílio há sete anos desenvolve o tipo de cultivo em 250 hectares localizados em Cachoeira Dourada. “Cada ano que passa, percebo melhorias e, por isso, nenhum ano trabalho como outro”, diz. Se numa fazenda convencional a média de produção é de 7 arrobas por hectare, lá são 18 arrobas. Da média nacional de 33 metros cúbicos de madeira ano, na Fazenda Boa Vereda, são extraídos 43 metros cúbicos. “Como adubo o pasto todo ano, indiretamente, a floresta também é adubada”, diz. As surpresas são frequentes e positivas. Na última vacinação, observou que não havia presença de mosca do chifre. “A tese é de que, com o sistema de produção diversificado, a população de inimigos naturais também seja”, diz. Inclusive, dá para encher as mãos de quantas teses de mestrado e doutorado foram desenvolvidas na fazenda. As duas fazendas colecionam premiações.

 

Vencedor do Prêmio de Gestão Ambiental Comigo/Tecnoshow deste ano, o produtor João Vans afirma que a consolidação do sistema de plantio direto é o maior benefício do setor para o meio ambiento. “Fazemos as coisas aqui há tanto tempo e é tão comum que não vejo como nada demais”, diz.

 

De 1983 para cá, os nove quilômetros de extensão do Rio Montividiu e Córrego Bandeira que passam pela propriedade foram recuperadas e estão devidamente preservados. João Vans afirma que segue todas as normas de segurança para que os insumos não contaminem o solo e tampouco lençol freático. Os galpões onde são guardados produtos para o plantio de 2,9 mil hectares são fechados para que os passarinhos não tenham contato. Historicamente, são colhidas 55 sacas de soja por hectare e 115 sacas de milho safrinha por hectare.

 

 



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